20.05.22

Sexta-feira, 20/5 – espetáculo (opsis)
14h as 18h Artes visuais e estética: Qual é a relação entre amor e arte? Leituras de Erich Fromm, A Arte do Amor.
20h Palestra: O amor, o Estado e a sociedade: “Considerações sobre direitos humanos e proteção social.”
com Juciméri Isolda Silveira

Mestre em Sociologia (UFPR), doutora em Serviço Social (PUCSP), coordenadora do Núcleo de Direitos Humanos (PUCPR), professora do Mestrado em Direitos Humanos e Políticas Públicas e do Curso de Serviço Social da PUCPR. Atualmente é superintendente da Fundação de Ação Social em Curitiba. Desenvolve trabalhos sobre o tema direitos, políticas públicas, gestão do trabalho e trabalho social.

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Manual para a construção de uma peça de teatro

Octavio Camargo

#5 Ópsis – o que se dá a a ver.

O espetáculo é àquilo que se dá a ver, mas aqui nosso ver tem mostrado também o invisível as opções, soluções e indagações daqueles que estão na construção de um espetáculo, uma performance, uma ação artística, um ritual ou uma festa (?) da qual tínhamos apenas 10% determinada.

Queremos nos gerar catarse em nos e em nosso público ou estamos desejos de nos afetar pelos atos amorosos construídos na convivência diária para então celebrarmos? Aprender na convivência uma democracia amorosa, deixarmos agenciar pelo desconhecido, pela descoberta diária, falas, linguagens. Ser a um só tempo agentes e agenciados por situações, objetos, pessoas, palavras e gestos. Nos deixara afetar por essa situação processual que se desenrola na construção coletiva realizada por meio da investigação em torno das relações e elementos cênico e que se deixará mostrar por meio da ópsis.

A òpsis para nós tem se construído pela agonística afetiva, na manipulação de conteúdos e materiais, nas inter-relações entre pessoas, objetos, sons, conhecimentos e imagens, deixando se agenciar e se afetar pelo mundo ao redor e interior.

MONSTRO – MOSTRO

Brandon La Belle

Visibilidade – visualização – o contexto da arte ou o processo artístico

  O escritor criativo faz o mesmo que a criança que brinca. Cria um mundo de fantasia que ele leva muito a sério, isto é, no qual investe uma grande quantidade de emoção, enquanto mantém uma separação nítida entre ele e a realidade. A linguagem preservou essa relação entre o brincar infantil e a criação poética. Freud, Escritores criativos e devaneio, 1908.

A arte está conectada com o acontecimento ao relacionar intrinsecamente com o conhecimento sensorial, onde os sentidos operam como modo de conhecimento em contraste com a abstração das palavras e da razão. A arte nos mantem próximos do corpo, proporcionando uma forma de conhecimento pela materialidade do mundo. Isso porque, a posição artística solicita o mundo material.

Na ópsis a arte se relaciona ao sensível e ao aparente, na relação entre o visto e o não visto, na negociação da presença e ausência. Pensando nessa oposição como o corpo compreende essa ausência? Quais são as consequências ou resultados desse contraste entre o conhecimento sensível e o conhecimento racional?

Vamos tentara responder isso evocando o Monstro.

O corpo nos conecta ao inconsciente ao um algo inominável: o monstro, um algo que escapa a denominação.

Além do princípio do prazer – Freud e o sentido do jogo

Freud analisa seu neto de um ano meio, que não protesta a ausência da mãe, ao invés disso o menino brincava com uma bobina de madeira amarrada a um cordão, a qual ele jogava para longe e depois a puxava de volta. Para Freud essa brincadeira repetitiva encenava a ausência da mãe, onde ele mesmo a fazia desaparecer e aparecer novamente. Transformando a experiência desagradável da ausência da mãe numa atitude ativa ao mesmo tempo em que pode satisfazer o impulso reprimido de vingança, pela ausência da mãe, ao jogar o objeto para longe o fazendo desaparecer. Esse jogo para Freud seria uma forma de repetir as experiências que causaram desprazer na criança na tentativa de controlar a situação emocional. (Jean-Michel Quinodoz)

No caso do jogo infantil, acreditamos perceber que a criança também repete a vivência desprazerosa porque sua atividade lhe permite lidar com a forte impressão de maneira mais completa do que se apenas a sofresse passivamente. Cada nova repetição parece melhorar o controle que ela busca ter sobre a impressão, e também nas vivências prazerosas a criança não é saciada pelas repetições, insistindo implacavelmente para que a impressão seja igual. Esse traço do caráter desaparecerá com o tempo. (Freud, 2010, p. 200)

No jogo a criança negocia a presença e a ausência da mãe, suas ida e vindas, ausência e presença, e o sentimento inconsciente desse algo inominável está na base da construção da subjetividade humana, somos moldados pela separação e talvez, por isso mesmo estamos continuamente negociando a presença e ausência do amor.

A ausência e presença nos faz perceber a falta de confiança no ser amado, exigindo que nos acerquemos de nossa vulnerabilidade, percebendo o quanto somos vulneráveis aos movimentos dos outros. Para Freud a impossibilidade de confiar no amor origina a Criatividade.

O ser humano sempre intenta algumas formas de diminuir sua dependência do mundo externo, buscando satisfação em processos psíquicos internos. Por vezes a distensão do vínculo com a realidade é conseguido através das ilusões, reconhecidas como tais sem permitir, porém, que a realidade interfira em sua fruição. A região em que essas ilusões se originam é a vida da imaginação. Freud diz que na época em que o senso de realidade se efetuou, essa região foi isentada das exigências do teste de realidade e posta de lado para realizar desejos difíceis em sua consecução, preservando essa trilha em direção ao prazer. Penso que pode ser comparada a uma “reserva ecológica” na vida mental. (GILVANEIDE MOTA MALTA BRANDÃO)

Repetir o que nos machuca é de certo modo uma forma de lidar com a dor. Performamos pelo jogo a dor e a ausência e criamos ferramentas para lidar com essa falta de confiança e com a possibilidade do desaparecimento da coisa amada. Temos uma ideia de que o amor nos completa, completar-se significaria depender de um outro, que pode se ausentar, demonstrando nossa vulnerabilidade. Por isso, desenvolvemos processos, soluções criativas na tentativa de encontrar caminhos para completar essas ausências, tentar nominar essa falta inominável, esse monstro encerrado em nós e nessa encenação nos tornamos por um momento senhores e senhoras de nossa vulnerabilidade.

A coisa em Lacan – A ausência é responsável em abrir uma fenda aberta no real que se realiza na articulação significante.

Winnicott – o brinquedo, o jogo e o nada

A arte é uma necessidade para tentar recriar as condições do mundo em torno de nós.

A brincadeira para as crianças é o espaço intermediário entre o descanso da vida psíquica interior e o mundo exterior. A brincadeira é um espaço de negociação imaginário entre o mundo externo e interior, pois durante a infância a criança vive momentos complexos e traumáticos e é por meio da brincadeira, da imaginação e da criatividade que ela negocia o real e pode navegar pelo mundo.

“[…] no jogo e pelo jogo que a civilização surge e se desenvolve”  Johan Huizinga – Homo Ludens, 1938

Sentir-se real é mais do que existir; é descobrir um modo de existir como si mesmo, relacionar-se aos objetos como si mesmo e ter um eu (self) para o qual retirar-se, para relaxamento.” (Winnicott, 1967/1975e, p. 161).

Para Winnicott toda a cultura depende do jogo e da brincadeira, porque ela é o espaço, a fenda para o imaginário e a criatividade.

A criatividade nunca acaba para os artistas porque para eles a criatividade permanece sempre como o espaço intermediário para trabalhar o dentro e fora, porque a arte é proliferação das coisas, um jogo interminável de negociação, que faz do mundo um elemento para falar sobre a ausência, sobre o que falta, mas que fala também sobre a presença, sobre o que pode ser feito e que se relaciona com o Monstro, com o que não tem nome.

A arte indica algo ausente, um quase, mas não ainda pronto, a arte como um processo que deixa a sensação de que sabemos algo, de um algo quase ao alcance das mãos, mas que permanece inalcançável.

A arte como loucura – um ato impossível

Modos de trabalho:

Situação 1: Deixem-se agenciar por este bloco e pelas três cadeiras e a partir do mote o estado e indivíduo criem uma imagem.

O amor, o Estado e a sociedade:

“Considerações sobre direitos humanos e proteção social”. com Juciméri Isolda Silveira

Participantes: Adriana Tabalipa, Beatriz Tomilhero Rosa, Carolina Mascarenhas, Carine Xavier, Camile Vasconcelos, Deise Warken, Eduarda Levandoski, Felipe Ribeiro, Felipe Quadra, Giovanna de Almeida, Henrique Vasconcelos, Hellen Carvalho, Jasmine Quadros, Jaqueline Lau, Jaime Rojas, João Pedro Soares, João Paulo Nascimento, Júlio Santos, Jasmine de Quadros, Katia Horn, Luana Madsen, Luiz Reikdal, Luana Oliveira, Lucas Jara Soares, Matheus Oliveira, Mariana O´Donnell, Maria Céli Camargo, Magdalena Ferrara, Nathalie Rocha, Paula Villa Nova, Rita Lins e Silva, Rosa Maria Dantas, Sérgio Freire Téa Camargo, Magdalena Ferrara, Zoraia Santos, Wynia Martins.

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